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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

MÚSICAS E ESTIGMAS

Por Manoel Trajano

É impressionante como a maioria das pessoas não perde a capacidade de estigmatizar músicas que outrora eram divertidas,alegres,dançantes e muitas vezes insinuantes e de como elas adquirem pelo status quo da nossa sociedade um novo significado, um novo paradigma que acaba por rotular quem ouve,curte e mesmo canta temos que não voltam mais.

Quem me conhece sabe que adoro música, comprar CD originais, DVD, ouvir no pendrive,colocar no carro tudo que é tipo de som e muitas vezes o faço sozinho e alto em bom som! Para relaxar mesmo. E ontem escutei quem eu gosto muito de ouvir e postei no artigo anterior: Edson Cordeiro. Seu CD "Disco Clubbing" que nem tenho mais a capa,só o porta CD,tinha dois homens e uma mulher em trajes bem eróticos e ele,Edson,sentado numa cadeira com um cedro de rei. Alguem vai dizer,bem colorido o tema,bem democrático e arco íris para os dias de hoje,ou diria diretamente um termo mais preconceituoso e vulgar.E olha minha cara de preocupado! Tá me vendo?Pois tô nem aí. Sei do que sou,do que gosto,sou feliz e mesmo que fosse do que hoje tantos lutam para conquistar um simples direito de ser feliz, como os gays, simpatizantes, afins, ninguem teria nada a ver com isso.Sou bem casado,tenho meu filho lindo e respeito quem opta por outras formas de amar.Não me incomoda nem um pouco. Só não gosto de exageros, apologias,chamarizes em torno de algo para chocar a sociedade e empurrar guela abaixo ideologias,opções e radicalismos.Nem que pare o trânsito nem cerceie meu direito e vir, seja por razões éticas,sexuais,partidárias,culturais. Tanto marcha da maconha como marcha por Jesus é pura babaquice.Cada um na sua e faça sua manifestação sem incomodar os outros! Creio em Jesus,amo Ele sem fazer estardalhaço.Ele sabe disso! É o que importa! Quanto à maconha, isso não é liberdade de expressão,é apologia à porta de entradas das demais drogas mesmo e faz mal. Tem que cercear, sem violência, claro,mas com educação em casa.

Voltando ao tema, ouvir "YMCA", "Kama Kameleon", "Close to You","Macho Man","Barbie Girl","Conga" ,"It´s Raining Man" entre outras eram coisas tão naturais,homens e mulheres ouviam e cantavam sem preconceitos e sem duplo sentido, da mesma forma que desarmado,Tim Maia cantava "Vale Tudo", "só não pode dançar homem com homem, nem mulher com mulher". Hoje,todos que cantam emendam "pode sim,galera". Nada contra, mas preservemos a originalidade da canção sem medos e estereótipos.Música é lazer,brincadeira,entretenimento.Acho que hoje o mundo vive exageros de querer impor uma "normalidade" que ainda não existe e precisa ser conquistada. Na minha visão, não é impondo na TV em novela das 6,7,8 com crianças e jovens assistindo certos temas e cenas que ainda não tem o diálogo e preparo da família em casa,pois os pais são ausentes pela correria diária,causando confusões e piorando os conflitos que iremos encontrar o caminho da felicidade e da paz interior. Quando ouço essas músicas em público e danço e /ou canto sempre tem uma vozinha falante "ihhhhh,ele gosta ó". Gente, o que há de mais gostar da canção?Vou ter que ouvir escondido? Nem pensar! Certa feita repassei uma postagem no Facebook do tipo "Se você tem um amigo gay, compartilhe" como forma de apoiar as escolhas e admira-los,só que sempre tem um deles que se "autosegrega","automutila","autodiscrimina" reativamente dizendo "que o que importa é que todos são amigos". Gente,eu poderia ter dito "aos meus amigos do Bahia,do Vitoria,negros,asiáticos,pardos,artistas,musicos,corredores,heterossexuais" mas o fiz para na intenção de quebrar tabus. Será que ajudei a aumentar o muro?Acho que não,mas vamos em frente!

Um certo dia,o CQC saiu pelas ruas e perguntou às pessoas "o que você acha do seu filho ser heterossexual".Impressionante como todos respondiam em tom envergonhado como se ele fosso homossexual e fosse digno de um ajuste,uma cura,uma reeducação,um castigo,ou outra forma de ajuste de conduta. Lembrei do filme "X-Men" e uma vacina para os mutantes,cujo grupo do mal não se considerava doente,e não eram mesmo,apenas diferentes.Aliás,somos todos diferentes,graças a Deus! Mas a música é apenas um veículo de arte de quebrar preconceitos, embora algumas igrejas e canções tendenciosas queiram mostrar o contrário e achar em algum lugar da Bíblia que Adão e Eva assim eram porque senão seria Adão e Ivo e outras piadinhas nada engraçadas e sim dilacerantes.Piadas com São Pedro e remédios para dor de barriga e tudo mais.Gente,para por aí! Vamos abrir a mente,mas sem ir para o neurocirurgião. Temos tanta coisa para se preocupar, amar, crescer e aprender e curtir as músicas que gostamos bem leves e soltos,e como Elvis Presley bem o fazia,requebrem machões!


Ah, Se Eu Fosse Homem

Composição: Roger Moreira

Ultraje a Rigor

Ah, se eu fosse homem de ouvir meu coração e dar vazão
não à razão, mas à vontade de mudar a situação
e me arriscar, me machucar mas mandar tudo para o ar
só pra ficar com uma mulher ou pra fazer o que eu quiser
abrir meu peito, é meu direito, se eu tivesse peito
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem de aguentar que uma mulher é como um homem
e também pensa como um homem e quer sair com outros homens
e, apesar de todas as explicações antropológicas,
na prática não tem explicação para o tesão
e ai, meu chapa, 'cê só pode reclamar pro bispo
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem de parar de me portar feito um rochedo
indestrutível e infalível, inabalável e imutável
previsível e impossível, um computador com músculos,
um chefe, um pai, um homem com H maiúsculo
eu seria o homem certo pra você
Ah, se eu fosse homem...
Ah, se eu fosse homem...Ah, se eu fosse homem...

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