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sábado, 31 de julho de 2010

HOMENAGEM A AMELINHA.POR ONDE ANDA?


Amélia Claudia Garcia Colares deixou o Ceará em 1970 para estudar comunicação em São Paulo. A carreira de cantora começou de maneira amadora, participando de shows do amigo e conterrâneo Fagner. Em 1974, decidida a seguir na música, passou a aparecer em programas de TV. No ano seguinte, fez uma temporada em Punta del Leste, acompanhando Toquinho e Vinicius de Moraes, quando o Poetinha compôs para ela Ah! Quem me Dera. Ao lançar o disco Flor da Paisagem (1977), produzido por Fagner, começou a ser apontada como a revelação nordestina ou a Gal Costa do Ceará. Com o segundo trabalho, Frevo Mulher (1979), recebeu disco de ouro. Mas a consagração veio mesmo no ano seguinte, quando viu o Maracanãzinho acompanhá-la em Foi Deus Que Fez Você, durante o MPB-80, festival promovido pela Rede Globo. A composição de Luiz Ramalho classificou-se em segundo lugar, vendeu mais de um milhão de compactos e foi a primeira música a alcançar o primeiro lugar entre as mais executadas tanto nas faixas de FM quanto de AM. O tema de abertura da série Lampião e Maria Bonita (Rede Globo), Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor, fez Amelinha estourar novamente em 1982. O disco homônimo ficou mais de 30 semanas entre os 50 LPs mais vendidos do ano. Em 1984, a cantora entrou em nova fase. Separada do marido Zé Ramalho, que produziu três dos seus primeiros cinco discos e compôs muitos de seus sucessos, ela entregou sua voz à produção de Mariozinho Rocha e ao acompanhamento instrumental do Roupa Nova, que imprimiu algo de pop em seu trabalho.





Mulher nova bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor
Amelinha
Composição: Otacílio Batista / Zé Ramalho


Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor


ENTREVISTA: AMELINHA NO TATARITARITATÁ!!!

08/04/2009



Amelinha, este grande nome da música popular brasileira, é cearense registrada Amélia Claudia Garcia Colares.
Detentora de uma trajetória premiadíssima e invejável, que começou em 1970 quando ela foi pra São Paulo estudar comunicação. Foi aí que, poucos anos depois, participou do show de Fagner e começou a aparecer em programas da televisão.
Em 1975, realizou uma temporada acompanhando Toquinho & Vinicius de Morais
Em 1976, lança seu primeiro disco, Flor da Paisagem, que foi produzido por Fagner.
Em 1979, veio o segundo álbum, Frevo Mulher, que ganhou disco de ouro.
No festival MPB-80, da Rede Globo, ela se consagrou defendendo a música “Foi deus que fez você”, de Luiz Ramalho. E, logo em seguida, lança em disco “Porta Secreta”, que ganhou disco de ouro e platina.
Em 1982, foi a vez de “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”, estourar como tema de abertura da série “Lampião e Maria Bonita”, da Rede Globo.
Em 1983 ela aparece com “Romance da lua”. No ano seguinte, “Água e luz”. Depois, “Caminho do Sol” e, logo em seguida, “Mistério do amor”.
Em 1989, ela dá uma viravolta e lança “Saudades da Amélia”, com repertório musical de Tom Jobim, Chico Buarque e Cartano Veloso.
Em 1993, é a vez do “Só forró”. E em 1996, vem “Cobra de Chifre” e “Brilhante”, para, em 1998, lançar o álbum “Amelinha” e o cd duplo “Mitos e danças”.
Em 1999, é a vez do álbum “Só com você”
Com a virada ela, em 2001, traz “Vento, forró e folia” e participa de uma coletânea com Geraldo Azevedo, outra coletânea com o pessoal do Ceará, Ednardo e Belchior, “Eles e elas” com Luis Vieira, entre outras.
Com uma poderosa voz inconfundível e inesquecível, Amelinha vem conduzindo sua trajetória e pronta para trazer novidades. Quer saber? Então acompanhe esta entrevista exclusiva que ela concedeu pra gente.



LAM - Amelinha, em primeiro lugar, a pergunta de praxe: como e quando foi que a cearense que estudava Comunicação se encontrou com a Arte, especialmente a Música?

Viemos juntas no pacote, a principio, para alegria da minha família e depois descobriram o meu segredinho... mas está sendo ótimo.



LAM - Que influências e acontecimentos da infância ou adolescência marcaram a sua definição pela Música?

A música, como falei, sempre foi parte de mim. Na infância era minha brincadeira predileta, eu gostava de cantar músicas do pastoril e brincar de radio com minhas amigas.
Minha tia freira salesiana, a Irmã Silvia, já era a cantora da família, no convento, mas era... faltava uma que fosse aonde o povo estava... sou eu... eu fui. Estou aqui.



LAM - Você começa sua carreira na leva do Pessoal do Ceará, lá pelos idos de 70. E em 2002, você, Ednardo e Belchior se reunem. Como é reviver o Pessoal do Ceará? Quais as perspectivas de reunião desses cearenses de sucesso atualmente?

Quando eles se reuniram como pessoal do Ceará, eu ainda não atuava profissionalmente. Me decidi aos poucos, até que em 1975 viajei com Vinicius de Morais e Toquinho pra Punta Del Leste numa big temporada de 40 dias no Cassino San Rafael e outros espetáculos em Montevideo e em 1977 lancei meu primeiro lp pela CBS, o Flor da Paisagem.
Em 2002 me reuni com eles para cantar e gravar pela primeira vez aquelas musicas, que evidentemente já conhecia, onde para eles era relembrar, mas para mim foi uma tremenda e maravilhosa novidade.
Amei fazer o cd com eles. Penso que poderíamos fazer um DVD do mesmo, que há qualquer momento pode rolar. Depende muito de convite de algum produtor porque não existe, que eu saiba no momento, tal idéia posto que estamos cada um a cuidar de sua carreira individual que já nos toma bastante tempo.
Se acontecer vai ser bom.



LAM - Você além da cantora versátil e consagrada que é, também é compositora. Fala do processo de criação e de que forma este trabalho autoral se expressa e contribui na formação da cantora que trabalha vários estilos musicais.

Enquanto cantora, isso acontece, quando modifico alguma coisa nas músicas que interpreto, isto é, quando dou aquela carimbada bem Amelinha, bem pessoal... inevitável e é o mais freqüente.
Com relação a composições minhas, fiz poucas e me lembro de ter apenas duas gravadas e uma mudança inteira de refrão de uma outra. Flor de Melão, Caetano com Fausto Nilo e Ife, e Já era tempo de amar, com Paulinho Lima, de forma que não sofri muito, porque componho pouco, rs.... e confesso que acontece sempre de uma forma bem espontânea, quase sempre puxada pela melodia.
Às vezes crio também melodias pra introduções ou vocais, de arranjos já feitos, pra dar mais um brilho nos shows.
Tenho muitas músicas e letras inacabadas.



LAM - Que avaliação você faz da sua trajetória de Flor da Passagem, de 1977, até Vento, Forró e Folia, de 2001?

Tenho aprendido a me conhecer, fui uma garota ousada na vida e romanceava sempre tudo que vivia, sou a rainha das utopias, continuo cheia de esperanças e gostando muito de cantar pela própria manifestação da arte em mim.
Deixei de frescuras de ego pelo caminho, graças a Deus, hoje me sinto bem mais centrada e descobri que eu olhava o mundo com lentes que eu mesma inventei.
Gravei muita coisa interessante e de certa estranheza para minha idade e pouco comum naquele tempo.
Tive o privilégio de ter arranjos belíssimos, como o da música “Mulher nova, bonita e carinhosa...” por Chiquinho de Morais, o da música “Santa Fé”, por Radamés Gnatalli. Hermeto Pacoal também, foi super gravar com ele no disco do amigo compositor Ricardo Bezerra, a música da La Condessa, em parceria com Riba, uma participação luxuosíssima, especialíssima com Egberto Gismonti na música “Profunda Solidão” de Novelle e Cacaso, Toquinho na música “Valsinha”, o grupo Roupa Nova em todo lp Água e Luz com destaque para um momento à capela com eles na música “A gia”, sendo esta produção toda do Mariozinho Rocha e um presentaço de Gilberto Gil, quando a meu pedido compôs “Tempo Rei”, fez meu arranjo e foi pra dentro do estúdio gravar conosco.
Tenho um coração bom? Ou não tenho... pra segurar tantas emoções.
Descubro ao longo do tempo que fiz um caminho de luz e bonito. E fico muito feliz e agradecida com a galera, genteamiga, por assim dizendo, que saca isto e me acompanha até os dias de hoje. E o bacana é que tem gente vai descobrindo e chega junto, tô sempre recebendo manifestações de respeito e carinho.



LAM - Você em 2007 fez o show Janelas do Brasil e participou do III Festival Internacional de Trovadores e Repentistas. Fala dessa experiência e como você avalia o carinho do público e sua constante consagração, mesmo distante do mercado fonográfico?

O Festival dos Travadores foi mesmo em 2007, mas só realizei o primeiro show – Janelas do Brasil -, em 2008. E mais duas apresentações que foram na Sala Baden Powell e no Teatro Nelson Rodrigues num projeto da Caixa Cultural. Muito bom, por sinal, aqui no Rio, em novembro do ano passado. Deram até uma pirateada e jogaram na internet e estou vendo o desenrolar pelo YouTube.
O desagradável é que tive um problema com o técnico de som que nunca tinha trabalhado comigo e não sabia que eu sei usar bem tecnicamente o microfone, então ele mesmo ficou de lá pilotando e isso me atrapalhou o desempenho, pois quando precisava que o som me desse um retorno, não acontecia, aí deu aquela escapulida de voz que é comum quando acontece isso....
Um pentelho dum internauta desinformado e metido ou metida a sabidinho, me esculhambou publicamente... e eu deixei pra lá só pra ver em que vai dar...
Não me preocupo porque se acontecesse o que ele falou eu nem estaria cantando mais. Não preciso impor meu canto a ninguém. Canto ainda porque sou uma cantora madura e ainda tenho voz.
Até agradeço os conselho de Cauby Peixoto, que me deu, quando era jovenzinha.
Isso às vezes é assustador porque dizem muita bobagem e se prestam de entendidos de tudo quanto é assunto. Parece que todo mundo sabe tudo.
As pessoas se precipitam e dizem coisas terríveis, umas as outras. Estas são as trevas da internet, na minha maneira de pensar.
Fico tranqüila porque sei exatamente o que aconteceu e vejo que muitas são por aí as insinuações maldosas e acusações levianas.
Há uns anos atrás isso acontecei nas revistas famosas formadoras de opinião, parece que é o mesmo vírus, rá, rá...



LAM - Nordestina que é, como você tem visto a situação atual da música da região? Como você o cenário atual da música no Nordeste? Há algum nome novo representativo de destaque na música nordestina?

A música nordestina é sempre muito inteligente, tocante, vigorosa, sonoramente telúrica e brincante, emocional ou descritiva e muito singular, mesmo quando se mistura nos ecos da globalização.
A gente pode ver lá no meio do mundo e diz: esses caras aí são nordestinos. E tem o lado mais Calypson e Tcha Tcha Tcha.... misturado com lambadas desta calda cultural... e tem uma faceta luminosa em que transita uma Isabé da Loca e seu filho rabequeiro... um charme, o matuto de chapéu.
Ando meio por fora do que está realmente acontecendo porque tem muita coisa escondida e ofuscada pelos estardalhaços dos marketings impostos de goela abaixo, onde o próprio marketing é mais estrela que o conteúdo, como se fosse tudo um faz de contas, onde um imita o outro e de tanta saturação de imagens, as cabeças vão ficando sem idéias próprias e o pessoal vai se acostumando e pensando que é assim mesmo.
Se fala muito das diferenças, mas de forma sensacionalista, enfatizando o bizarro e o lixo.
Ouvi falar numa banda de Recife chamada “Seu Chico” aqui pelo Rio, na Lapa. Tem gente por ai que precisa ser mais visto, como o Beto Brito, por exemplo, que tem um forte trabalho, vigoroso, compõe muito bem, canta melhor ainda e toca rabeca que é uma beleza.
Enfim, tem muita gente querendo mostrar seu valor. A questão é que a industria da comunicação de massa é repetitiva e chata, se baseia pelos desatentos e nivela por aí. Vide TV aberta. E outras também tem dias que sonegam muita coisa mais interessante e insiste disfarçadamente nos mesmos engodos.



LAM - Com o cenário de crise no universo musical, como você identifica as perspectivas e possibilidades do artista brasileiro atualmente?

A crise não é no universo musical, a crise é na máquina comercial. Quem for mais esperto, se dá bem. Mais exibido, mais falante de besteira, etc.
Antes se ia à televisão pela importância do que se fazia. Agora ir tão somente à telinha vira em seguida celebridade, é brincadeira.
Nós vivemos o tempo das afirmações negativas, ou seja, você afirma o que não é.



LAM - Você está com um lindo site na rede, a internet tem contribuido para a difusão do seu trabalho?

Sim, há uns 5 anos que eu venho me achando pela rede de uma forma mais e mais interativa e que me deixa também bem mais independente.
Vou melhorar o site.
Gosto muito de falar através de um blog como o seu, por exemplo. É legal a linguagem sucinta que se estabelece, a abrangência é estimulante e prazerosa. É um novo time. Já dizia Caetano que navegar é preciso e que viver não é preciso... show!
Vou melhorar o site, dar uma dinamizada, atualizar as informações, fazer umas correções e me comunicar mais com os amigos.
Fico feliz e excitada com o alcance do teu programa aí, está sendo a primeira entrevista do ano, pois tenho mais duas na espera.
No entanto, aquele clima natureba do site, vai continuar porque é a minha cara, como dizia um dos atores da Companhia Baiana de Patifaria, na peça Bofetada
Gosto muito de teatro, do ao vivo, dos acertos, dos erros, das brincadeiras, das grandes performances, do calor da platéia. Aquela coisa viva sem medo de errar, sem medo de se emocionar, sem medo de ser feliz e de chorar.



LAM - Quais as perspectivas e projetos que Amelinha tem por realizar?

Surpresa!!!!!
Mas tem coisa boa a caminho.
E o carinho de vocês me leva a apressá-las.
Beijos pra todos, amo vocês. Amelinha no Tataritaritatá com muito prazer. Até breve e me escrevam gente amiga!



Foto de Klaudia Alvarez, recolhida do Blog Música do Ceará.



Clipe: Amelinha cantando canções inéditas do Gonzaguinha, arranjos do maestro Zé Américo Bastos.

Veja mais no sítio da Amelinha.

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http://ciateatromusica.blogspot.com/2009/04/entrevista-amelinha-no-tataritaritata.html






Veja mais em: http://www.lastfm.com.br/music/Amelinha


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